Durante anos, empresas adotaram a digitalização como caminho natural para ganhar velocidade e reduzir burocracias. Documentos foram para a nuvem, contratos passaram a ser eletrônicos, rotinas ganharam automação. Esse movimento representou avanço importante. Mas, em 2025 e agora entrando em 2026, uma nova camada tecnológica começa a se destacar como alternativa mais completa: a tokenização de ativos.
A diferença entre os dois modelos não está apenas no formato digital. Está no que cada um permite fazer com os ativos depois que eles são digitalizados.
A digitalização tradicional transforma documentos físicos em arquivos eletrônicos. É um processo que melhora a organização, facilita acesso e reduz custo operacional. No entanto, não altera a natureza do ativo. Um contrato digitalizado continua sendo um contrato estático. Um recebível digitalizado continua dependendo da infraestrutura tradicional para ser consultado, conciliado, transferido ou auditado.
A tokenização, por outro lado, converte ativos reais em representações digitais com funções financeiras nativas. O ativo não apenas existe em formato digital; ele se torna programável. Isso permite criar trilhas de auditoria imutáveis, padronizar controles, automatizar pagamentos, facilitar transferências e integrar diferentes sistemas sem intermediários. O que antes exigia múltiplas etapas passa a ocorrer em um único fluxo.
Esse ponto explica por que a tokenização vem ganhando espaço no mercado corporativo. Ela resolve gargalos que a digitalização tradicional não alcança: reconciliação entre departamentos, governança sobre versões, registro de propriedade, integração com sistemas financeiros, uso do ativo como colateral e liquidação instantânea. Para empresas com alta complexidade documental e financeira, isso representa ganho real de eficiência.
A mudança também fica evidente na forma como os ativos circulam. Arquivos digitalizados precisam de reenvio manual, validações externas e controles paralelos. RWAs, por outro lado, circulam com registro único, auditável e compartilhado por todas as partes envolvidas. Se uma empresa tokeniza um recebível ou um contrato, seu movimento pode ser acompanhado em tempo real, com regras definidas no próprio ativo. Isso reduz disputas, melhora compliance e simplifica o trabalho de tesouraria e jurídico.
Outro ponto relevante é a liquidez. A digitalização melhora o acesso à informação, mas não cria mercado. Tokenização cria. Quando um ativo passa a existir on-chain, ele pode ser integrado a plataformas de negociação, mecanismos de crédito, estruturas de captação e modelos de liquidação automatizada. Essa camada financeira adicional gera valor para empresas que precisam transformar ativos antes ilíquidos em instrumentos utilizáveis.
No Brasil, o avanço regulatório recente impulsiona essa transição. CVM 88, CVM 175, normas para fundos que incluem ativos digitais e as novas resoluções do Banco Central previstas para 2026 criam um ambiente onde tokenização deixa de ser experimento e se torna operação. O ecossistema corporativo começa a perceber que digitalizar é organizar, enquanto tokenizar é operar.
Por isso, o debate atual não é se as empresas devem abandonar a digitalização tradicional. Elas continuam dependendo dela. A questão é entender que, à medida que processos financeiros se tornam mais integrados e automatizados, a tokenização entrega uma eficiência que a digitalização nunca pretendeu alcançar. Em setores como crédito privado, varejo, logística, serviços financeiros e infraestrutura, essa diferença já aparece no dia a dia.
A escolha entre digitalizar e tokenizar depende do objetivo da empresa. Se a intenção é apenas armazenar, centralizar e consultar documentos, a digitalização tradicional é suficiente. Mas se a meta é automatizar governança, reduzir retrabalhos, padronizar auditoria, conectar sistemas e ampliar liquidez, a tokenização se torna o caminho natural.
Empresas que incorporam RWAs ganham uma camada de eficiência operacional que redefine a forma como ativos são criados, geridos e movimentados. E esse movimento, agora impulsionado por regulação, tecnologia e necessidade de escala, deve se intensificar ao longo de 2026.

