O debate sobre Real World Assets (RWAs) saiu da teoria e entrou na operação real.
Em 2025, produtos tokenizados alcançaram valores significativos em blockchains públicas e permissionadas, mostrando que a tokenização deixou de ser experimento e passou a fazer parte da infraestrutura financeira institucional.
Um dos sinais mais claros veio no fim de 2025 quando os fundos de mercado monetário (tokenized money market funds – MMFs) emitidos on-chain, chegaram próximos de US$ 9 bilhões, segundo o Bank for International Settlements (BIS).
Setores que já utilizam RWAs de forma concreta
Fundos de mercado monetário tokenizados
O avanço dos MMFs tokenizados é emblemático. Eles unem:
- retorno ligado a títulos tradicionais,
- liquidez on-chain,
- liquidação com stablecoins.
O resultado: instrumentos clássicos do mercado monetário passam a operar em infraestrutura blockchain, com trilhas de auditoria contínua e capacidade de integração direta ao sistema financeiro digital.
RWAs se tornam ponte entre finanças tradicionais e mercados digitais.
Ações, títulos e classes emergentes
Outros segmentos também ganharam força:
- ações tokenizadas ultrapassaram US$ 1,2 bilhão em capitalização;
- blockchains como Solana registraram crescimento próximo de 10% em valor de RWAs, superando US$ 873 milhões em títulos de tesouro e fundos institucionais tokenizados.
A expansão mostra que a tokenização está atingindo múltiplas classes de ativos: títulos, fundos, ações e instrumentos estruturados.
Para onde a tokenização está avançando em 2026
A consolidação de 2025 foi apenas o início.
MMFs, títulos e ações on-chain criaram uma massa crítica que começa a redefinir o fluxo financeiro institucional.
Três movimentos guiam 2026:
1. RWAs como infraestrutura para liquidez institucional
Com volumes crescentes, RWAs passam a desempenhar funções típicas de tesouraria:
- liquidação em minutos,
- rendimentos pagos automaticamente on-chain,
- uso como colateral digital,
- operação 24/7 integrada a stablecoins.
Isso altera o posicionamento desses ativos dentro de bancos, gestoras e corporações.
Não são mais “alternativos”.
São parte do core financeiro.
2. Integração com stablecoins cria um ciclo financeiro contínuo
A tokenização deixa de ser apenas registro e avança para processos completos:
- o ativo nasce tokenizado;
- o rendimento é distribuído on-chain;
- a liquidação ocorre via stablecoins;
- a trilha de auditoria permanece pública e verificável.
Pela primeira vez, o mercado tradicional e o digital operam de forma sincronizada.
3. Empresas começam a usar RWAs no backoffice
Em paralelo ao mercado institucional, companhias começaram a incorporar RWAs em processos internos:
- registro de recebíveis,
- emissão de dívidas estruturadas,
- contratos corporativos auditáveis,
- rotinas de fluxo de caixa integradas.
Os benefícios são claros:
- menos trabalho manual,
- reconciliação automática,
- rastreabilidade entre departamentos,
- liquidez para ativos antes estáticos.
RWAs começam a migrar da inovação para a operação diária.
O que isso representa para o Brasil
O país entra em 2026 com um ambiente regulatório funcional para tokenização institucional:
- CVM 175 permite fundos com ativos digitais,
- CVM 88 viabiliza emissões digitais,
- Resolução 4.501 orienta instituições financeiras,
- novas normas do Banco Central definem o enquadramento das PSAVs.
É a primeira vez que empresas brasileiras podem estruturar operações com RWAs contando com:
- emissão,
- custódia,
- distribuição,
- liquidação.
Tudo dentro de um modelo formal, supervisionado e compatível com integração corporativa.
RWAs em 2026: uma nova camada da infraestrutura financeira
Com expansão contínua, interoperabilidade com stablecoins e adesão institucional crescente, RWAs entram em 2026 como:
- veículo de liquidez,
- modelo de governança,
- estrutura de captação,
- infraestrutura operacional para empresas.
Não é narrativa. Não é projeção.
É a realidade observada no mercado global.
RWAs deixaram o status experimental e se tornaram parte central da arquitetura financeira moderna. E, à medida que o ecossistema evolui, empresas e instituições começam a se reorganizar em torno dessa nova camada de eficiência.
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